Por Raissa Fernanda em
26 de Fevereiro de 2018
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Tome cuidado com o discurso empreendedor!

Raissa

Nos últimos anos, o empreendedorismo se tornou um tema recorrente no mercado de trabalho brasileiro. Mais pessoas estão abrindo o próprio negócio, desenvolvendo novas ideias e aproveitando novas oportunidades, o que é ótimo!

No entanto, com esse crescimento também surgiu um discurso empreendedor que pode estar atrapalhando muito mais do que ajudando no crescimento profissional dessas pessoas. Saiba como identificá-lo e descubra por que é preciso ter cuidado com ele.

O que são empreendedores de palco?

O empreendedorismo ganha cada vez mais atenção porque é um meio de inserção em um mercado de trabalho imprevisível que tornou necessárias atitudes empreendedoras tanto nas organizações quanto nos profissionais. Nesse contexto, também surgiram os empreendedores de palco.

Você deve conhecer alguns deles: com uma aparência jovial, um grande sorriso no rosto e uma atitude animada, eles dizem ser empreendedores e têm o segredo para que o seu negócio faça muito sucesso. Você pode descobrir esse segredo depois de pagar pelas palestras, livros e consultorias que eles oferecem com tanto prazer.

Só que, quando paramos para ouvir o que o empreendedor de palco tem a dizer, percebemos que a fala dele se baseia muito mais em autoajuda do que em experiência no mercado. Ele não tem números, estatísticas, perspectivas ou estratégias, mas sim um discurso motivacional baseado em ideias bem conhecidas.

“Nunca desista dos seus sonhos” é um dos principais comandos desse discurso empreendedor. “Seja criativo” é outra dica comum. Ou seja, coisas que você escutou a vida inteira, que não são novidade e que não farão a diferença que você esperava quando pagou pelo serviço dele.

Mas a pior parte desse discurso é que ele sempre traz uma mensagem final que não é apenas repetitiva, mas também é falsa: a ideia de que seu sucesso só depende de você.

Qual é o problema do discurso empreendedor?

O discurso dos empreendedores de palco é sedutor porque oferece uma solução fácil para um problema complexo: como ter sucesso e ganhar dinheiro no mercado atual? A resposta oferecida é, basicamente, “tenha força de vontade”. Simples, certo?

Só que, na prática, não é tão simples assim. Claro que para empreender é necessário ter força de vontade, mas também é preciso ter comprometimento, estar disposto a sacrificar muitas coisas, fazer um bom investimento, ter uma boa percepção e ter os contatos certos. E muitos desses aspectos não dependem só de você!

É aí que mora o perigo do discurso empreendedor, porque a ideia de que você é o único responsável por fazer sucesso e ficar rico elimina fatores óbvios como a sua história de vida, as suas oportunidades e o momento pelo qual a sociedade passa.

Você não é um indivíduo isolado. Tudo à sua volta influencia na sua vida e pode dificultar ou facilitar seu empreendimento. Pensar que força de vontade e motivação é a fórmula mágica pode ser um caminho direto para a frustração.

Além disso, o discurso empreendedor pode prejudicar os colaboradores que trabalham para as empresas que o pregam: com vagas que oferecem benefícios duvidosos – happy hours, videogames e dias sem dress code – e se esquecem dos benefícios bons – vale-refeição, vale-transporte e décimo terceiro –, essas organizações chamam a atenção de profissionais jovens que acabam trabalhando muito para ganhar bem menos do que deveriam.

Por isso, quando se deparar com esse discurso, lembre-se de algo muito importante: esse é o empreendimento do empreendedor de palco. Ele precisa vendê-lo e pode usar qualquer estratégia para fazer isso. Até mesmo omitir que empreender exige mais do que motivação ou pensamento positivo.

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3 Replies to “Tome cuidado com o discurso empreendedor!”

  1. Ótimo artigo. Não quero ser tachado de esquerdista pois não sou, mas tudo o que você descreveu nesse artigo mostra bem a realidade atual. Os ataques aos direitos trabalhista e a reforma previdenciária. Trocar benefícios como vale refeição, vale transporte, férias e décimo terceiro por benefícios duvidosos encaixa-se bem na mentalidade liberalóide desses movimentos surgidos nos últimos tempos aqui no Brasil. Todas essas idéias são típicas daqueles que pregam um estado mínimo, que acham que alguém que não alcança o sucesso é porque não esforçou-se suficientemente para merecer algo. Lamentável essas idéias circularem por aqui em um tempo que o mínimo do estado ainda nem chegou a todos os cantos do país.

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