Os gestores de RH que estão atentos às atualizações do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), exigidas pela legislação vigente, já têm no checklist de adequação à NR-1 um guia para adequar os processos internos às novas diretrizes, que agora incluem os riscos psicossociais.
Porém, segundo dados da revista Exame, apenas 18% dos profissionais do setor conhecem detalhadamente a norma atualizada.
Esse dado serve como um alerta, pois a nova NR-1 já está em vigência e, além do caráter educativo, a norma passa a ter também caráter punitivo.
Para ajudar a garantir a conformidade com as novas regras, neste artigo, você conhecerá o que mudou com a nova NR-1 para o RH e suas obrigações, aprenderá dicas para mapear fatores psicossociais e conhecerá as etapas do checklist para se adequar às exigências da norma.
Além disso, entenderá como a inclusão de benefícios de bem-estar pode impactar positivamente a qualidade de vida e a saúde mental no trabalho, conforme a legislação pede.
Principais aprendizados deste artigo
- A nova NR-1 exige que os fatores de risco psicossociais sejam identificados, avaliados e controlados no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).
- O mapeamento dos riscos psicossociais deve ser realizado com base na Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) e, quando necessário, na Análise Ergonômica do Trabalho (AET).
- O checklist de adequação à NR-1 envolve cinco etapas principais: diagnóstico, identificação dos fatores de risco, elaboração de planos de ação, monitoramento contínuo e documentação de todas as ações.
Boa leitura!
Nova NR-1: o que mudou nas obrigações do RH?
A principal mudança foi a inclusão dos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Com isso, os RHs passaram a adotar métodos para avaliar, prevenir e controlar esses aspectos por meio da implementação de um Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) interno.
Ou seja, além de identificar os perigos das atividades decorrentes de agentes físicos, químicos e biológicos e de acidentes em cada setor da empresa, é necessário avaliar e controlar os fatores psicossociais no GRO, tais como:
- sobrecarga de trabalho;
- assédio moral e sexual;
- falta de apoio da liderança;
- ambiguidade de funções;
- jornadas excessivas;
- metas inalcançáveis;
- isolamento.
Integração entre NR-1 e NR-17
Além disso, outra mudança estabelecida pela Portaria MTE nº 1.419/2024 foi a integração entre a NR-1 e a NR-17, que trata da organização do ambiente de trabalho, com foco na ergonomia e, agora, também nos fatores psicossociais.
Com essa associação, o objetivo é identificar a probabilidade de os perigos decorrentes de problemas na concepção, organização e gestão do trabalho afetarem a saúde psicológica, física e social dos trabalhadores, resultando em condições como estresse, esgotamento, distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (Dort) e burnout.
Nesse contexto, o RH desempenha um papel central no processo de adequação, em conjunto com as demais lideranças e os especialistas da área, que podem orientar a gestão de riscos ocupacionais e a implementação de medidas preventivas e corretivas.
A seguir, confira como mapear fatores psicossociais de acordo com a nova NR-1.
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Como mapear riscos psicossociais conforme a NR-1?
O mapeamento pode ser realizado por meio de dois métodos previstos na NR-17: a Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) e a Análise Ergonômica do Trabalho (AET). Enquanto a primeira identifica perigos, avalia riscos e orienta a implementação de medidas preventivas, a segunda permite uma análise mais aprofundada da organização do trabalho.
Vale ressaltar que a AEP é obrigatória para todas as empresas, inclusive para aquelas que não precisam implementar o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), como as Microempresas (MEs) e as Empresas de Pequeno Porte (EPPs) com atividades de grau de risco 1 e 2, como comércios varejistas e restaurantes e lanchonetes.
Com base nas informações obtidas por meio desse método de avaliação, a equipe responsável por executar o checklist de adequação à NR-1 pode identificar os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho e determinar as possíveis consequências de lesões ou agravos à saúde.
Veja alguns exemplos de fatores de risco e de como registrar as ocorrências identificadas.
| Fatores de risco | Possíveis consequências |
| Assédio de qualquer natureza no trabalho | Transtornos mentais |
| Falta de clareza sobre o cargo ou a função | Transtornos mentais |
| Trabalho remoto e isolado | Transtornos mentais; fadiga |
| Ausência de recompensas e reconhecimento | Transtornos mentais |
| Excesso (sobrecarga) ou baixa (subcarga) de demandas de trabalho | Transtornos mentais; DORT |
Confira, a seguir, os passos do checklist de adequação à NR-1 para fazer esse processo corretamente.
Checklist de adequação à NR-1
Esse processo inclui as seguintes etapas: diagnóstico, identificação dos fatores de risco, planos de ação, monitoramento e documentação. Quando executadas de forma integrada, essas etapas contribuem para a atualização adequada do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e fortalecem a conformidade da empresa com a NR-1.
Entenda as principais atividades realizadas em cada etapa do checklist de adequação à NR-1.
1. Diagnóstico
No processo de diagnóstico, a equipe avalia todas as atividades da empresa para classificar os riscos com base em critérios como severidade, probabilidade, níveis de risco, classificação e plano de ação. Para conduzir essa etapa, é importante:
- utilizar uma metodologia de avaliação, questionário ou pesquisa com fundamento científico, adequada às condições de trabalho existentes na empresa;
- incluir todas as áreas e colaboradores no processo;
- garantir o anonimato dos participantes;
- documentar o diagnóstico, com os resultados separados por área ou setor;
- formalizar o documento, com data e assinatura da equipe responsável.
2. Identificação dos fatores de risco
Após a conclusão do diagnóstico, a lista de riscos psicossociais será anexada ao PGR. Com base nas informações coletadas, a equipe deverá listar todos os fatores de risco identificados, realizando a avaliação e a classificação de cada um conforme os critérios estabelecidos pela organização.
Para cada área da empresa, o registro deve conter:
- os fatores de risco relacionados à atividade;
- o nível de impacto de cada item (alto, médio ou baixo);
- as evidências que comprovam a classificação.
3. Plano de ação
A terceira etapa do checklist de adequação à NR-1 envolve a criação de planos de ação para controlar ou evitar as consequências negativas dos fatores de risco identificados em
cada setor. Além disso, os planos devem ser específicos, mensuráveis e atingíveis.
Para cada ação, a equipe deve:
- descrever a forma de controle que será adotada;
- nomear um responsável direto pela condução do processo;
- definir um prazo para execução.
4. Monitoramento
Após a implementação das medidas, é necessário acompanhar sua eficácia. Por isso, os planos de ação devem ser monitorados e ajustados caso as medidas adotadas sejam insuficientes ou não gerem os resultados esperados. Para facilitar esse trabalho, a equipe pode utilizar:
- um cronograma de reavaliação com a periodicidade de cada checagem;
- indicadores para orientar as análises;
- feedback dos colaboradores por meio de canais de escuta ou pesquisas internas.
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5. Documentação
A última etapa do checklist de adequação à NR-1 consiste em anexar todos os passos do processo de análise dos riscos psicossociais ao PGR. Além disso, é fundamental:
- obter a assinatura de um engenheiro ou técnico de segurança do trabalho ou de um médico do trabalho para garantir a adequação técnica das medidas;
- informar os membros da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPA) e os colaboradores sobre os perigos identificados e as medidas implementadas, por meio de workshops, palestras ou outros canais de comunicação, com o devido registro documental.
Embora a adequação possa ser trabalhosa, especialmente em empresas com operações mais complexas, esse processo é essencial para reduzir riscos, promover um ambiente de trabalho mais seguro e evitar as consequências do não cumprimento da norma. Confira a seguir.
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O que acontece se a empresa descumprir as novas regras?
O descumprimento das novas diretrizes da NR-1 pode gerar multas administrativas durante as fiscalizações do Ministério do Trabalho. Além disso, em casos graves, as atividades da empresa podem ser interditadas caso os auditores identifiquem riscos graves e iminentes à vida ou à saúde dos trabalhadores.
Além disso, a organização pode ser alvo de processos judiciais trabalhistas e cíveis movidos por colaboradores lesados física ou psicossocialmente em decorrência das condições de trabalho, o que também pode comprometer sua reputação no mercado.
Por outro lado, ao se adequar à nova NR-1, as empresas podem implementar soluções que impactam positivamente o bem-estar dos colaboradores.
A seguir, saiba como a Ticket pode apoiar sua organização nesse processo.
Como se adequar à NR-1 com a ajuda de benefícios de bem-estar?
Os benefícios corporativos voltados ao bem-estar podem integrar o plano de ação como medidas complementares para estimular os colaboradores a reservarem momentos de pausa e cuidarem da saúde mental. Dessa forma, os profissionais conseguem identificar suas vulnerabilidades com mais rapidez e acessar os cuidados adequados.
Segundo dados do Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026, do Wellhub, 91% dos profissionais entrevistados declararam que frequentar espaços voltados ao bem-estar reduz o estresse no trabalho, enquanto 89% dos que priorizam esse aspecto apresentam melhor desempenho profissional.
Em resposta a essa demanda, a Ticket criou um cartão multibenefícios que integra até oito categorias em um único cartão, oferecendo mais praticidade para empresas e colaboradores.
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