O retorno sobre o investimento é uma métrica financeira estratégica para medir a rentabilidade em comparação com o custo, seja de um serviço ou de uma ação. Porém, essa avaliação pode ir além do aspecto quantitativo ao considerar também retornos qualitativos. A análise do ROI em benefícios corporativos envolve ambos os aspectos.
Essa visão mais abrangente possibilita uma avaliação mais completa e menos pragmática, que vai além do resultado numérico bruto do indicador.
Nesse contexto, fatores como redução da taxa de rotatividade e de faltas são métricas fundamentais, pois geram custos para a empresa com substituições, novas contratações e treinamento.
Assim, o RH deve saber como provar o valor financeiro dos benefícios para a diretoria, indo além da simples apresentação de números.
Os gestores precisam compreender a relevância estratégica dos auxílios em aspectos-chave, como atração e retenção de talentos, que são essenciais para que a empresa alcance o desempenho financeiro e o crescimento esperado no mercado.
Neste artigo, você aprenderá as principais respostas para entender e demonstrar o valor dos benefícios corporativos. Continue a leitura e confira:
- o que é ROI em benefícios corporativos;
- como calcular o ROI dos benefícios corporativos;
- quais indicadores usar para medir o ROI no RH;
- quais são as vantagens de medir o retorno sobre investimento em benefícios;
- como o custo dos benefícios impacta a margem de lucro;
- quais são as estratégias para otimizar o ROI de benefícios na empresa.
Principais aprendizados deste artigo
- O ROI em benefícios corporativos combina dados quantitativos e qualitativos para demonstrar o impacto estratégico dos auxílios no desempenho e nos resultados da empresa.
- Indicadores como taxa de rotatividade, absenteísmo, presenteísmo e eNPS são essenciais para medir resultados e orientar decisões mais assertivas no RH.
- A análise contínua permite otimizar custos, alinhar benefícios aos objetivos do negócio e fortalecer a retenção e atração de talentos.
- A apresentação clara dos resultados, com dados e comparações, facilita o engajamento da diretoria e sustenta investimentos no programa.
Boa leitura!
O que é ROI em benefícios corporativos?
É uma métrica quantitativa que avalia o valor e o impacto financeiro dos programas de benefícios em relação aos custos. Na análise, o dado numérico é complementado por indicadores qualitativos que o RH utiliza para comprovar a eficácia do investimento e orientar decisões mais estratégicas sobre a alocação de recursos.
Esse referencial ajuda os gestores a terem uma visão ampla da relevância estratégica dos auxílios para o fortalecimento da equipe.
Assim, ao monitorar o ROI em benefícios corporativos de forma consistente, o RH demonstra como a iniciativa influencia resultados críticos para o negócio, como a atração e a retenção de talentos, a produtividade e até a satisfação do time.
Segundo o relatório “Estudo ROI do Bem-Estar: a visão dos CEOs”, do Wellhub, 82% dos diretores afirmam ter ROI positivo, especialmente com programas de bem-estar.
Além disso, 58% acreditam que o equilíbrio entre a saúde física, mental, emocional e social dos colaboradores é fundamental para o sucesso financeiro da empresa.
Dessa forma, um programa sólido e alinhado aos objetivos da organização contribui para a estabilidade e a motivação da equipe, o que se reflete diretamente no potencial de lucro da organização.
Entenda, a seguir, como calcular o ROI dos benefícios corporativos e, na sequência, quais indicadores de RH complementam a avaliação do retorno do investimento.
Como calcular o ROI dos benefícios corporativos?
O cálculo do indicador depende dos seguintes dados: o custo total do investimento em benefícios e os ganhos obtidos ao longo do período analisado. Para obter o resultado, subtraia o custo dos ganhos e, depois, divida pelo custo total. Multiplique o resultado por 100 para obter o ROI em porcentagem.
A fórmula simplificada é:
ROI = [(Ganhos financeiros – Custo dos benefícios) ÷ Custo dos benefícios] x 100
Por exemplo, um programa de alimentação custou R$ 20 mil no ano e, nesse período, a empresa economizou R$ 35 mil em gastos com rotatividade de funcionários (turnover). O retorno foi de:
(35.000 – 20.000) ÷ 20.000 = 0,75 x 100 = 75%.
Esse é o formato de cálculo mais simples, mas também o mais prático. O segredo para obter um resultado realmente preciso está na qualidade dos dados.
Ou seja, é fundamental registrar cada gasto associado ao benefício, especialmente os custos com fornecedores. Além disso, o RH deve reunir o histórico dos indicadores que serão relacionados ao investimento, para calcular a variação no período analisado.
Com fontes de dados confiáveis e o período de avaliação bem definido, o time de Recursos Humanos pode atuar em conjunto com o setor Financeiro para garantir um cálculo mais preciso do ROI em benefícios corporativos, considerando custos diretos e indiretos da estratégia.
Leia também: Como montar um plano de benefícios? Guia em 7 passos
Quais indicadores usar para medir o ROI no RH?
As métricas mais relevantes incluem turnover (rotatividade), absenteísmo, presenteísmo, utilização do benefício por coorte e eNPS. Para fundamentar os resultados, os times de RH e Financeiro devem avaliar os gastos com benefícios sob a perspectiva financeira, cultural e operacional, garantindo que essas informações orientem decisões estratégicas.
Conheça a função de cada indicador e como aplicá-los na argumentação sobre o ROI em benefícios corporativos.
Turnover (rotatividade)
Mostra o fluxo de entrada e saída de colaboradores em um determinado período. Quanto mais alta a rotatividade, maior o custo operacional com substituições e novas contratações.
Medir esse indicador após implementar benefícios, como premiações, vale-alimentação e apoio à saúde mental, gera um ROI em benefícios corporativos mensurável e tangível.
Use entrevistas de desligamento ou pesquisas de feedback para conectar a rotatividade às lacunas identificadas nos benefícios.
Leia também: Retenção de talentos: o que é, como fazer?
Absenteísmo
Indica o total de faltas, atrasos e saídas antes do horário (com ou sem justificativa) em relação ao total de horas previstas. Esse indicador auxilia na avaliação da produtividade, do engajamento e do clima organizacional.
Oferecer benefícios alinhados às necessidades da equipe, como auxílios voltados ao bem-estar, auxílio-creche ou assistência a idosos, pode melhorar o desempenho e a retenção de talentos.
Um colaborador engajado fica mais tempo na empresa e contribui de forma mais consistente para os resultados.
Presenteísmo
Refere-se ao ato de estar presente na empresa, mas mentalmente distraído e improdutivo. Segundo dados da Vittude para a revista Você S/A, a média desse indicador nas empresas brasileiras é de 31%.
Esse comportamento gera um custo oculto, muitas vezes maior que a taxa de faltas. Identificar as causas e implementar auxílios que promovam segurança psicológica e previnam o esgotamento deve ser prioridade.
Pesquisas de bem-estar podem orientar decisões estratégicas e, futuramente, o cálculo do ROI em benefícios corporativos.
Utilização do benefício por coorte
O ROI só será vantajoso se os colaboradores realmente utilizarem e perceberem valor nos auxílios oferecidos.
Em vez de fazer uma avaliação geral, o RH pode aplicar análises de coorte, mensurando o impacto dos incentivos por grupos com características semelhantes, como geração, função ou nível salarial.
Essa abordagem permite extrair dados confiáveis das pesquisas, o que ajuda a apresentar à diretoria os ganhos concretos que os benefícios podem proporcionar em curto e longo prazo.
Leia também: Pesquisa de satisfação: entenda como usá-la na empresa
eNPS
Esse indicador mede a probabilidade de os funcionários recomendarem a empresa como um ótimo lugar para trabalhar.
A coleta deve ser feita por meio de pesquisas anônimas, o que garante respostas honestas, e os resultados podem ser comparados ao longo do tempo ou com médias do setor.
Um pacote de benefícios robusto pode influenciar positivamente essa pontuação, pois funcionários que se sentem apoiados tendem a divulgar o ambiente de trabalho de forma favorável.
Agora que você sabe quais indicadores usar para medir o ROI no RH, é fundamental saber como provar o valor financeiro dos benefícios para a diretoria, conectando impacto financeiro, cultural e operacional.
Confira, no próximo tópico, formas inteligentes de argumentar sobre os benefícios corporativos.
Como provar o valor financeiro dos benefícios para a diretoria?
Use as seguintes estratégias na argumentação: relacione os resultados de forma evidente para facilitar o entendimento, utilize gráficos para ilustrar comparativos e conexões, compare os resultados internos com pesquisas do setor, demonstre como o ROI influencia a estratégia corporativa e explique os efeitos de incentivos fiscais.
Entenda como cada tática ajuda a fortalecer os argumentos para convencer a alta administração a manter os investimentos:
- relacione os resultados de forma evidente para facilitar o entendimento: o programa de benefícios atual reduziu as faltas em X%, o que gerou economia equivalente a Y reais em perda de produtividade;
- use gráficos para ilustrar comparativos e conexões: destaque os benefícios que mais contribuem para retenção, taxas de utilização por grupo e redução de custos em comparação com a diminuição da rotatividade e das ausências;
- compare os resultados internos com pesquisas do setor: enquanto a taxa média de rotatividade do setor é de 22%, entre os colaboradores que utilizam o programa de bem-estar, o turnover foi de apenas 16% no ano passado;
- demonstre como o ROI influencia a estratégia corporativa: mostre como os resultados do investimento contribuem para aspectos-chave da gestão, como retenção de talentos e eficiência operacional;
- explique os efeitos de incentivos fiscais: a adesão a iniciativas como o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) e o Programa Empresa Cidadã permite deduzir parte do valor pago de benefício do IRPJ, além de oferecer isenções trabalhistas que reduzem os gastos totais.
Dica: faça repasses trimestrais ou semestrais do ROI em benefícios corporativos para manter o valor visível ao longo do ano, garantir conformidade e fortalecer a confiança da liderança na estratégia.
Quais são as vantagens de medir o retorno sobre investimento em benefícios?
A mensuração dos resultados fornece uma base de dados confiável para o RH propor soluções estratégicas, destaca a relevância dos benefícios corporativos para o crescimento da empresa, identifica pontos de melhoria que podem ser corrigidos rapidamente e alinha os programas aos objetivos organizacionais, fortalecendo o engajamento da equipe.
Veja, a seguir, cada vantagem de avaliar o ROI em benefícios corporativos em detalhes.
Alinhar benefícios aos objetivos do negócio
Ao vincular os resultados dos benefícios a objetivos estratégicos, como retenção de talentos, produtividade e gestão de custos, o RH demonstra que o programa contribui para o sucesso da organização e garante o apoio da diretoria e o engajamento dos colaboradores.
Identificar pontos de melhoria
O acompanhamento do ROI em benefícios corporativos mostra quais categorias não atingem os resultados esperados, o que permite ajustes na oferta, na comunicação ou substituições de forma ágil.
Reforçar a relevância dos benefícios corporativos
As métricas de ROI fornecem provas concretas dos retornos positivos gerados pelo investimento, o que ajuda a construir uma argumentação convincente para a continuidade e expansão do financiamento.
Tomar decisões baseadas em dados confiáveis
Com os dados quantitativos das métricas de ROI em benefícios corporativos, o RH aloca recursos de forma mais eficiente, prioriza iniciativas com maior impacto e adapta a estratégia baseada em evidências objetivas.
Leia também: Planejamento tático: entenda sua função e seus benefícios
Como o custo dos benefícios impacta a margem de lucro?
O principal impacto ocorre diretamente no custo operacional, com o aumento dos custos fixos e variáveis mensais, o que reduz o lucro líquido. Por isso, é fundamental realizar um planejamento estruturado da implementação, controlando os gastos iniciais até que o ROI em benefícios corporativos compense o investimento realizado.
Devido à composição da força de trabalho, à média salarial, à existência de negociação coletiva e à abrangência dos pacotes de benefícios, cada setor apresenta estruturas de custos distintas para atrair e reter talentos em mercados competitivos.
Assim, o melhor caminho para aproveitar as vantagens de medir o retorno sobre investimento em benefícios é desenvolver uma estratégia personalizada, alinhada à realidade da empresa. Confira a seguir!
Quais são as estratégias para otimizar o ROI de benefícios na empresa?
As principais ações são:
- adotar benefícios flexíveis: permite que os colaboradores escolham opções alinhadas às suas necessidades, reduzindo desperdícios e subutilização;
- usar comunicação segmentada: apresente o valor dos benefícios para cada público interno, com linguagem adequada aos seus interesses;
- renegociar com parceiros: revise contratos para reduzir custos sem comprometer a qualidade da experiência;
- incentivar a adesão: desenvolva campanhas e materiais em diferentes canais para estimular o uso;
- monitorar continuamente: acompanhe indicadores e ajuste a estratégia com agilidade.
Além dessas estratégias para otimizar o ROI de benefícios na empresa, contar com o apoio de um parceiro experiente no mercado de benefícios corporativos pode acelerar a evolução e aumentar a eficiência do programa.
Leia também: Como escolher a melhor empresa de gestão de benefícios?
Conte com uma empresa qualificada como parceira
O cálculo e o uso estratégico do ROI em benefícios corporativos exigem atenção contínua do RH, especialmente para comunicar como o custo dos benefícios impacta a margem de lucro, sem gerar objeções da diretoria em relação ao investimento.
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FAQ
Qual o período ideal para medir o ROI de benefícios?
Trimestral ou semestralmente. Assim, a diretoria acompanha de forma mais próxima a evolução do programa de benefícios e os retornos alcançados, o que facilita a visualização dos resultados em longo prazo. O retorno positivo mantém os investimentos ativos, garantindo um ROI em benefícios corporativos mais atrativo.
Como isolar o efeito dos benefícios de outras iniciativas de RH?
Foque os dados e os resultados dos indicadores relacionados a essa área, bem como as comparações de impacto entre diferentes grupos de colaboradores. Assim, as lideranças têm uma visão mais objetiva e detalhada da estratégia, reconhecendo seu valor para o engajamento e a retenção de talentos.