78,1% dos trabalhadores brasileiros afirmam que se sentem satisfeitos ou muito satisfeitos com o emprego atual, segundo dados do FGV IBRE, o maior índice desde a inclusão desse quesito na pesquisa. Nesse contexto, a satisfação no trabalho pode envolver fatores como qualidade de vida, saúde física e bem-estar mental.
O papel do RH é identificar o que promove essa sensação, que muitas vezes parece subjetiva, e valorizar esses critérios em ações concretas, como benefícios corporativos em diferentes áreas, adequados às necessidades de cada colaborador.
Esse ajuste estratégico ajuda a conciliar os interesses profissionais individuais com os objetivos da organização, favorecendo o engajamento e a retenção de colaboradores.
Sua empresa precisa atualizar os processos de gestão de pessoas para melhorar os resultados de satisfação no trabalho na pesquisa de clima?
Continue a leitura deste artigo e entenda como medir a satisfação dos colaboradores, além de descobrir como melhorar a satisfação no trabalho e compreender o impacto da satisfação no trabalho na produtividade.
Principais aprendizados deste artigo
- A satisfação no trabalho é a percepção positiva que o colaborador desenvolve sobre sua experiência profissional, considerando fatores como reconhecimento, propósito, desenvolvimento e qualidade de vida.
- O impacto da satisfação na produtividade aparece no aumento do engajamento, da criatividade, da colaboração e da retenção de talentos, além da redução do absenteísmo e do turnover.
- Para medir a satisfação dos colaboradores, as empresas podem utilizar indicadores como eNPS, taxa de turnover, absenteísmo, one-on-ones estruturados e pesquisa de clima.
- Para melhorar a satisfação no trabalho, o RH deve investir em benefícios flexíveis, desenvolvimento profissional, comunicação interna eficiente, plano de carreira e um onboarding acolhedor.
Boa leitura!
O que é satisfação no trabalho?
É a combinação entre motivação, propósito, reconhecimento e boas condições de trabalho, aliada à disciplina. Esse conjunto favorece colaboradores mais produtivos e alinhados aos valores da empresa. Além disso, fortalece o senso de pertencimento e cria uma relação de reciprocidade que beneficia toda a organização.
A satisfação no trabalho, portanto, é uma vivência indispensável para os colaboradores, pois contribui para uma experiência positiva, por meio da qual eles se desenvolvem como pessoas e profissionais realizados e produtivos.
Aqui, vale destacar a diferença em relação ao engajamento, que trata mais da capacidade da empresa de alinhar as pessoas da equipe a um propósito comum: alcançar melhores resultados de negócio, estimulando e oferecendo meios para obter o melhor desempenho.
Por outro lado, a felicidade é um estado emocional momentâneo de alegria, que um colaborador pode sentir eventualmente no trabalho.
Assim, a satisfação é uma avaliação da carreira a longo prazo, baseada na função realizada, no salário e nas conquistas. Ou seja, é o que o colaborador pensa sobre o emprego.
Qual é o impacto da satisfação no trabalho na produtividade?
Uma pesquisa publicada pela UCLA aponta que colaboradores que se declaram satisfeitos são 31% mais produtivos. Esse sentimento se reflete em soluções mais criativas, melhor atendimento ao cliente e redução de desperdícios. Ou seja, mais satisfação contribui diretamente para o aumento do engajamento e da retenção de colaboradores.
Esses resultados impactam positivamente outros aspectos da gestão de pessoas. Entenda a seguir.
Maior produtividade dos funcionários
Ainda no quesito produtividade, a flexibilidade para equilibrar as demandas do trabalho com a vida pessoal é um dos fatores mais citados pelos colaboradores de grandes empresas após a pandemia da covid-19.
Na pesquisa publicada em seu livro ‘15 Secrets Successful People Know About Time Management’, Kevin Kruse descobriu que o que diferencia bilionários, empresários e atletas olímpicos das demais pessoas em suas práticas cotidianas é a capacidade de aproveitar ao máximo cada minuto, tanto no trabalho quanto no lazer.
Ou seja, poder priorizar não só o trabalho, mas também o que é importante na vida pessoal, pode ajudar os colaboradores a encarar o próprio tempo como um ativo precioso e, assim, incentivá-los a usá-lo da melhor maneira, onde quer que estejam.
Menor rotatividade e turnover
Empresas que oferecem bons benefícios e valorizam a satisfação no trabalho dos profissionais conquistam vantagens competitivas importantes, como o retorno mais rápido sobre os custos de contratação e a redução do risco de os colaboradores deixarem a companhia em um curto período.
Esses fatores são estratégicos porque, antigamente, havia profissionais com a intenção de passar a vida inteira na mesma empresa. Hoje, porém, é cada vez mais comum que os colaboradores permaneçam menos tempo nas organizações, com mais interesse em buscar satisfação do que apenas estabilidade.
Pesquisas na área organizacional apontam a insatisfação como a principal causa de turnover, tanto em empresas públicas quanto privadas.
Dessa forma, caso a rotatividade esteja alta, o retorno do investimento em contratação, na forma de performance, não acontece. Portanto, ao notar que o turnover está elevado, reavalie os processos de gestão de pessoas.
Ambiente de trabalho mais leve e confortável
O ambiente de trabalho evoluiu, e a dinâmica das relações interpessoais não pode ser ignorada. Dialogar, expor ideias e resolver conflitos de maneira franca são fatores-chave para construir um ambiente de trabalho leve e confortável.
Afinal, ninguém gosta de trabalhar com colegas estressados nem de precisar pensar duas vezes antes de abordar um assunto por medo das reações.
Um estudo da Harvard Business Review mostra que priorizar o bem-estar e a satisfação pode aumentar em 300% a inovação nas empresas.
Dessa maneira, em um contexto mais agradável, os colaboradores participam mais ativamente e se dedicam ao máximo aos seus projetos, além de trabalharem melhor em equipe.
Redução do absenteísmo
Antes da baixa produtividade, a ausência de satisfação no trabalho se expressa de maneiras mais evidentes. A principal delas é o absenteísmo.
Dados da empresa de pesquisa norte-americana Gallup indicam que um alto índice de ausências não programadas afeta negativamente não só a receita da empresa, mas também a economia.
Isso porque a falta de satisfação se reflete em mau desempenho, faltas frequentes e, consequentemente, mais custos para a organização.
Como medir a satisfação dos colaboradores?
Os indicadores e recursos para mensurar objetivamente os níveis de satisfação incluem eNPS (Employee Net Promoter Score), taxa de turnover, índice de absenteísmo, reuniões one-on-one estruturadas e pesquisa de clima organizacional. Esses dados tangibilizam a percepção da equipe e ajudam a identificar os fatores que impactam positivamente sua experiência.
Entenda como cada métrica ajuda a identificar a satisfação dos colaboradores:
- eNPS (Employee Net Promoter Score): avalia a probabilidade de os membros da equipe recomendarem a organização como um ótimo lugar para trabalhar, em uma escala de 0 a 10. Mede a satisfação, a lealdade e o engajamento geral dos funcionários.
- Taxa de turnover: é a porcentagem de pessoas que deixam a empresa em um determinado período, geralmente um ano. Indica a frequência com que os funcionários precisam ser substituídos e revela a saúde e a estabilidade da organização.
- Taxa de absenteísmo: mede a porcentagem de dias de trabalho programados perdidos devido a ausências não planejadas. Avalia a saúde geral da força de trabalho, a produtividade e o moral da empresa.
- One-on-ones estruturados: são encontros regulares entre gestores e colaboradores, focados no desenvolvimento profissional, na resolução de desafios, na orientação de carreira e na construção de confiança. A regra de ouro é que o colaborador tenha 70% do tempo de fala.
- Pesquisa de clima organizacional: mede a percepção dos funcionários sobre diferentes aspectos do ambiente de trabalho, como eficácia da liderança, dinâmica da equipe, cultura organizacional e satisfação no trabalho. Essas pesquisas são anônimas e orientam planos de ação voltados à melhoria da produtividade e à retenção de talentos.
Ao avaliar esses indicadores e alcançar melhores resultados a longo prazo, a organização tende a construir uma equipe mais integrada e uma cultura sólida, o que facilita o crescimento profissional e fortalece os processos de gestão de pessoas.
Como melhorar a satisfação no trabalho?
Criar um processo de onboarding acolhedor, incentivar a formação e o desenvolvimento profissional, fortalecer a comunicação interna e oferecer um plano de carreira são estratégias que o RH pode articular junto às lideranças para fortalecer o índice de satisfação da equipe, promovendo maior engajamento e inovação.
Entenda o papel de cada ação para criar um ambiente de trabalho acolhedor e com propósito.
Criar um processo de onboarding acolhedor
A satisfação dos funcionários como indivíduos é benéfica para toda a organização e começa desde o primeiro dia.
No processo de onboarding, é importante proporcionar uma integração acolhedora para os novos colaboradores, apresentando os valores e a cultura organizacional em cada etapa da experiência.
Além disso, o RH e os gestores devem estar próximos para que os novos profissionais não se sintam perdidos ou desacompanhados. Os líderes de setor, especialmente, precisam ser orientados a dedicar tempo a quem está chegando, respondendo a eventuais dúvidas ao fim do primeiro dia ou da primeira semana.
Afinal, a postura da liderança transmite sinais poderosos que impactam diretamente a primeira impressão. Essa é uma etapa fundamental para demonstrar, na prática, a solidez e a coerência da cultura da empresa, incentivando os colaboradores a se conectarem com esses valores.
Incentivar a formação e o desenvolvimento
Produtividade e resultados aparecem quando os funcionários estão satisfeitos. Dessa forma, incentivar a formação e o desenvolvimento dos colaboradores é um fator imprescindível para criar um ciclo de valorização do conhecimento na empresa.
A organização pode oferecer benefícios que ajudem os colaboradores a investir em educação, como workshops, ajuda de custo e custeio de pós-graduações.
Mas, além de viabilizar oportunidades de aprendizado, a empresa precisa considerar se a carga horária de trabalho permitirá que os colaboradores frequentem as aulas. Assim, o RH deve combinar, individualmente, formas de evitar a sobrecarga e manter a produtividade.
Proporcionar condições adequadas para a formação é essencial para alavancar o time, investindo no colaborador e impulsionando a satisfação no trabalho e a retenção de talentos.
Fortalecer a comunicação interna
A comunicação é um fator-chave para criar conexões e mostrar que a empresa se importa com os colaboradores, com os projetos e com o trabalho em equipe.
Por isso, implementar bons canais de comunicação interna mantém o diálogo aberto e fortalece a confiança para que os colaboradores peçam orientação sempre que necessário.
Toda comunicação unilateral, sem diálogo e na qual não é possível perceber a reação do interlocutor e adaptar o discurso, exige uma escolha cuidadosa de palavras, a fim de evitar ambiguidades e mal-entendidos.
Antes da oratória, o RH deve desenvolver a “escutatória” junto às lideranças, para que os gestores saibam escutar com os olhos, com a mente e estejam efetivamente presentes para os colaboradores.
Oferecer um plano de carreira
Atualmente, o plano de carreira é muito mais dinâmico do que décadas atrás. O colaborador pode recalcular a rota diversas vezes. Caso o ambiente corporativo não seja favorável e ele não encontre satisfação no trabalho, o caminho pode mudar de direção.
O ambiente altamente competitivo, aliado à cultura de alta performance e meritocracia, faz com que as pessoas tenham expectativa de serem promovidas mais rapidamente e com mais frequência do que gerações anteriores.
Dessa forma, o RH deve analisar estrategicamente como estruturar cargos e salários para não enrijecer a estrutura. Assim, os colaboradores podem ter uma jornada mais dinâmica, além da sensação de estarem evoluindo continuamente.
Benefícios corporativos como alavanca de satisfação
A satisfação pode vir da oferta de vantagens imediatas, como videogames e guloseimas à disposição, ou da construção de um ambiente motivador atrelado às paixões das pessoas.
No entanto, essas comodidades não motivam de fato se o colaborador estiver em uma posição com a qual não se identifica ou se benefícios mais essenciais, como vale-refeição ou vale-alimentação, forem insuficientes.
Nesse ponto, o RH deve avaliar: o que a empresa oferece de valor realmente converge com as necessidades dos colaboradores?
Uma pesquisa global da Benify destaca que 69% dos profissionais afirmam que os benefícios têm impacto positivo em suas vidas. No entanto, 62% ainda dizem que é difícil perceber todo esse valor.
Por isso, além da autoavaliação das escolhas pelo RH, a percepção da equipe é determinante para orientar melhorias, como a implementação de benefícios flexíveis, um formato valorizado pela autonomia na escolha do pacote.
Na Ticket, soluções como Ticket Multibenefícios, cartão que reúne até oito categorias de auxílios, e o Ticket Flex, que une VA e VR em um único meio de pagamento, são exemplos baseados na personalização que ajudam as empresas a atender melhor às necessidades da equipe.
Com esse modelo, as organizações podem alcançar maior satisfação no trabalho, com mais engajamento e motivação.
Leia mais: Como implementar benefícios flexíveis? Guia, regras e exemplos
Ofereça benefícios desde o primeiro dia
A satisfação no trabalho impacta diretamente os resultados e também contribui para a longevidade dentro da empresa.
Portanto, para atrair e reter talentos estratégicos, as organizações devem oferecer um ecossistema completo de vantagens, o que inclui a criação de um programa de benefícios competitivo.
Sabia que 84% dos colaboradores desejam personalizar seus benefícios conforme as próprias necessidades, mas apenas 21% têm essa opção atualmente, segundo a Robert Half?
Com o apoio da Ticket, sua empresa não precisa criar uma fórmula única para agradar a todos. O Ticket Multibenefícios é uma solução que permite oferecer até oito categorias, como alimentação, transporte, saúde, educação e lazer, no mesmo cartão.
Dessa forma, cada colaborador tem autonomia para escolher quais opções são mais adequadas ao seu perfil ou momento de vida, enquanto o RH gerencia todas as solicitações em um sistema digital completo e seguro.
Veja como o Ticket Multibenefícios pode ser a base para criar um pacote de auxílios que promove satisfação de forma real e contínua, não apenas pontual.
FAQ
Com que frequência aplicar pesquisa de satisfação com os colaboradores?
A maioria das empresas aplica o questionário anualmente. No entanto, para identificar problemas em tempo real, vale a pena realizar versões curtas, com 5 a 10 perguntas, em ciclos mensais ou trimestrais, complementadas por uma pesquisa anual aprofundada. Além disso, one-on-ones e o eNPS ajudam a acompanhar percepções qualitativas continuamente.
A empresa é responsável pela satisfação no trabalho dos colaboradores?
A responsabilidade pela experiência é compartilhada. A empresa deve garantir boas condições estruturais, benefícios, reconhecimento, clareza nas expectativas e oportunidades de desenvolvimento. Já o colaborador contribui com sua postura, qualidade das entregas e relacionamento interpessoal. Cabe ao RH criar um ambiente favorável para promover a satisfação de forma consistente.
Satisfação no trabalho e engajamento são a mesma coisa?
Não. Satisfação é um estado em que o colaborador avalia se as condições do trabalho atendem às suas expectativas. Já engajamento é um comportamento. O colaborador age de forma proativa, vai além do esperado e se identifica com os objetivos da empresa, contribuindo ativamente com seu crescimento.
