mulher se consulta em psiquiatra mostrando a relação entre saúde mental e nr-1
26 de May de 2025

Coluna do Basaglia – Saúde mental e NR-1: entenda tudo sobre o tema

Você já parou para pensar no impacto que a saúde mental tem sobre os resultados da sua equipe? Pois vivemos um cenário no qual a produtividade, a inovação e o engajamento dependem diretamente do bem-estar das pessoas. Portanto, ignorar essa pauta deixou de ser uma opção. E o que antes parecia um assunto abstrato ou sensível demais, agora, ganha força também no campo das obrigações legais.

Com a atualização da NR-1, o cuidado com saúde mental passa a integrar, de forma objetiva, as responsabilidades das empresas. Seja para quem lidera, seja para quem atua no RH ou tem papel estratégico na organização, isso representa uma virada: É hora de transformar boas intenções em ações práticas e mensuráveis.

O que a NR-1 diz sobre saúde mental nas empresas

A Portaria nº 1.419 que atualiza a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) amplia o escopo da segurança do trabalho. Essa atualização da norma integra os fatores psicossociais aos programas de prevenção e proteção à saúde do trabalho.

A norma, em vigor desde 25 de maio de 2025, passa a reconhecer os riscos ocupacionais de natureza psicossocial. Tais riscos o incluem estresse crônico, a pressão por metas desproporcionais, o assédio moral e as jornadas exaustivas.

A partir disso, esses fatores precisam ser avaliados e mitigados nos ambientes de trabalho. Portanto, a NR-1 passa a exigir que as empresas adotem uma abordagem mais abrangente na proteção à saúde dos trabalhadores.

Ou seja, não basta oferecer Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) ou garantir a ergonomia física do posto de trabalho. Também é preciso mapear as condições emocionais e cognitivas que impactam o bem-estar e a produtividade das equipes.

Entenda por que a saúde mental é uma pauta estratégica para o RH

Ao tratarmos de saúde mental, não estamos apenas falando de uma demanda ética. Trata-se de uma questão de inteligência organizacional. Afinal, as pessoas estão no centro da operação das organizações. E pessoas sobrecarregadas emocionalmente não inovam, não colaboram e não sustentam resultados nomental médio e longo prazo.

Para somar a isso, os altos números de afastamentos ligados à saúde mental no Brasil nos dão um alerta. Segundo artigo publicado em HSM Management, em 2024, foram 472.000 afastamentos, um aumento de 67% em relação a 2023.

É por isso que a área de Recursos Humanos precisa ter protagonismo dessa pauta. O que inclui não tratar o tema como benefício opcional e integrá-lo à estratégia do negócio.

Por isso, a partir da atualização da NR-1, o RH pode assumir um novo papel: ser um agente de transformação que conecta compliance, cultura e cuidado.

Ao monitorar os riscos psicossociais, o setor não apenas atende às exigências legais. Ele também coleta dados valiosos sobre o clima organizacional e o engajamento dos colaboradores.

Com isso, torna-se possível tomar decisões mais assertivas, reduzir custos com afastamentos e aumentar a retenção de talentos.

No entanto, é preciso mais do que implantar ações pontuais, como palestras ou rodas de conversa. O RH precisa também desenvolver políticas consistentes e sustentáveis.

Ou seja, isso envolve formação de lideranças empáticas, revisão de processos de avaliação de desempenho, atenção às cargas de trabalho. E, principalmente, escuta ativa dos colaboradores.

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Saiba como criar um ambiente de trabalho saudável e acolhedor

Criar um ambiente de trabalho saudável e acolhedor não é uma ação isolada ou pontual. Isso é o resultado de uma série de decisões consistentes tomadas no dia a dia da gestão.

Então, o ponto de partida está na escuta ativa: ouvir de verdade o que os colaboradores têm a dizer sobre sua rotina, seus desafios e suas necessidades.

É a partir dessa escuta que a empresa pode construir um ambiente mais humano, no qual as pessoas sintam que pertencem e que suas contribuições importam.

Um clima organizacional saudável exige clareza de papéis, metas realistas e abertura para o diálogo. Além de coerência entre o discurso e a prática da liderança.

Afinal, não adianta defender o equilíbrio entre vida pessoal e profissional se a cultura interna valoriza apenas quem responde e-mails fora do expediente. Ou seja, a construção de um ambiente acolhedor depende de exemplos vindos do topo.

Além disso, é preciso atenção a pequenos gestos que fazem grande diferença: reconhecer conquistas, flexibilizar rotinas quando possível, respeitar limites e promover inclusão.

Lembre-se de que um espaço de trabalho acolhedor é aquele onde as vulnerabilidades não são punidas, mas compreendidas. E onde pedir ajuda não é visto como fraqueza, e sim como maturidade.

Programas de bem-estar: do básico ao estratégico

A maturidade de um programa de bem-estar organizacional pode ser medida pelo quanto ele está conectado à estratégia da empresa. A maioria das organizações ainda opera no nível básico: ginástica laboral, frutas no escritório, campanhas sazonais. São ações válidas, mas que, sozinhas, têm impacto limitado e não dialogam com os verdadeiros desafios da saúde mental no trabalho.

Um programa estratégico de bem-estar vai além. Ele se integra à gestão de pessoas e se sustenta em três pilares: prevenção, apoio e cultura. Isso significa investir em ações estruturadas que antecipem problemas — como treinamentos sobre regulação emocional e gestão do estresse —, oferecer suporte efetivo quando surgem dificuldades (como parcerias com profissionais de saúde mental), e promover uma cultura que valorize o equilíbrio, a empatia e o respeito.

Para ser estratégico, o programa precisa de indicadores claros. Quantas pessoas acessam os serviços oferecidos? Quais são os principais gatilhos de sobrecarga emocional? Como o bem-estar influencia os índices de produtividade e turnover? Com dados em mãos, o RH deixa de operar no achismo e passa a atuar com precisão.

Investir em bem-estar não é um custo, é uma escolha inteligente. Empresas que reconhecem isso colhem os frutos em forma de engajamento, inovação e reputação no mercado — três elementos fundamentais para qualquer organização que deseja crescer de forma sustentável.

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Como transformar exigências em ações práticas ao se adequar à NR-1

A revisão da NR-1 trouxe uma oportunidade valiosa para que empresas saiam do campo da reatividade. E, assim, passem a atuar de forma estratégica na promoção da saúde integral dos colaboradores.

Mas entender a norma é apenas o primeiro passo. O verdadeiro desafio está em traduzir suas exigências em rotinas, processos e políticas que façam sentido no dia a dia das organizações.

Então, confira algumas dicas de como colocar essa adequação em prática de maneira consistente e alinhada à realidade da sua empresa. Sempre com o foco em gestão de pessoas, cultura organizacional e resultados sustentáveis.

Implementar um diagnóstico organizacional contínuo

A base de qualquer ação eficaz é o conhecimento profundo da realidade interna. Isso significa ir além das pesquisas de clima anuais e criar mecanismos contínuos de escuta e análise.

Nesse sentido, algumas ferramentas podem ajudar. Pesquisas de pulso recorrentes, rodas de conversa com times, grupos focais e indicadores de absenteísmo e rotatividade são alguns exemplos.

Ou seja, o diagnóstico contínuo ajuda a mapear os principais fatores de risco psicossocial e identificar tendências. Além de antecipar crises e entender quais áreas demandam intervenções mais urgentes.

Desenvolver políticas de saúde mental claras e acessíveis

A saúde mental não pode depender da boa vontade eventual da liderança. É preciso existir uma política institucional que garanta diretrizes claras. O que inclui objetivos bem definidos e acesso aos serviços disponibilizados.

Por isso, essa política deve ser amplamente comunicada, fácil de compreender e revisada periodicamente. De preferência, com a participação ativa dos colaboradores.

Treinamentos sobre gestão humanizada e identificação dos sinais de sofrimento

A capacitação das lideranças é um fator crítico para o sucesso de qualquer iniciativa voltada à saúde mental. Isso porque, muitas vezes, os líderes são os primeiros a perceber que algo não vai bem. Mas não sabem como agir.

Por isso, treinamentos sobre gestão humanizada, escuta ativa e comunicação não violenta podem fazer parte da formação contínua dos gestores. O que transforma as lideranças em aliadas da prevenção de riscos psicossociais.

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Criar indicadores de saúde mental e bem-estar no RH

É importante que o RH desenvolva indicadores que permitam acompanhar a evolução das ações de bem-estar e saúde mental. Sempre respeitando o sigilo e a sensibilidade das informações. Afinal, o que não se mede, não se gerencia.

Portanto, alguns dados podem ser cruzados para oferecer insights estratégicos. Exemplos incluem índice de adesão a programas de apoio, número de afastamentos por saúde mental e percepção de segurança psicológica.

Esses indicadores ajudam a medir resultados e a ajustar rotas, para alocar recursos de forma mais eficaz. E capacitar as lideranças com base em evidências.

Incluir ações específicas para riscos psicossociais no PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos)

A adequação à NR-1 passa obrigatoriamente pela revisão do PGR. E isso inclui a identificação, avaliação e controle dos riscos psicossociais presentes no ambiente de trabalho. Então, fatores como sobrecarga, pressão excessiva e isolamento devem ser tratados com o mesmo rigor que riscos físicos ou ergonômicos.

Nesse sentido, é importante prever ações específicas, como revisão de jornadas, análise de metas, campanhas de conscientização e canais de escuta segura. O que institucionaliza o cuidado com a saúde mental.

Veja quais são os benefícios de investir em saúde mental para o clima organizacional

Investir em saúde mental vai muito além de cuidar das pessoas. É uma decisão que pode transformar o clima organizacional e impulsionar o desempenho coletivo. Além de aumentar os resultados e reduzir custos com afastamento.

Nesse sentido, um dos principais benefícios está na redução de tensões internas. Pois, em um ambiente com espaço para diálogo, escuta ativa e respeito às individualidades, conflitos são mais resolvidos com mais facilidade.

Outro impacto direto está na melhoria do engajamento e da motivação. Colaboradores que percebem o cuidado da empresa com seu bem-estar tendem a se comprometer mais com os resultados. O que se reflete em números.

Afinal, segundo com um estudo da Gallup, empresas com alto engajamento de colaboradores apresentam uma redução de 41% no absenteísmo e 24% menos rotatividade de pessoal. Além de terem 21% maior rentabilidade e 17% maior produtividade.

Não à toa, o investimento em saúde mental se reflete na redução consistente nos indicadores de absenteísmo e presenteísmo. Afinal, quando as pessoas têm suporte para lidar com as dificuldades emocionais, elas adoecem menos e produzem mais.

Por fim, uma cultura que valoriza a saúde mental fortalece a reputação da empresa como um bom lugar para se trabalhar. Em tempos em que o employer branding se tornou diferencial competitivo, organizações que cuidam das pessoas se destacam.

Dessa forma, elas também atraem os melhores talentos — não só pela remuneração, mas pela qualidade do ambiente que oferecem.

Tire suas dúvidas sobre saúde mental e NR-1

A NR-1 fala diretamente sobre saúde mental?

Não de forma explícita. A NR-1 não usa o termo “saúde mental” literalmente, mas amplia o conceito de riscos ocupacionais ao incluir fatores psicossociais — como estresse, sobrecarga, assédio, pressão por resultados e isolamento social.

Esses fatores estão diretamente ligados à saúde mental dos trabalhadores, e, por isso, precisam ser mapeados e gerenciados dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

O que são riscos psicossociais, segundo a NR-1?

Riscos psicossociais são condições organizacionais que podem causar impacto negativo na saúde emocional e social dos trabalhadores. Isso inclui jornadas excessivas, ambientes tóxicos, metas desumanas, relações interpessoais conflituosas e práticas de gestão autoritárias. Nesse sentido, a NR-1 determina que esses riscos sejam identificados e considerados nos processos de prevenção.

O PGR precisa obrigatoriamente incluir saúde mental?

Sim, de forma indireta. O PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) deve considerar todos os riscos ocupacionais — físicos, químicos, ergonômicos e psicossociais. Como a saúde mental é impactada por fatores psicossociais, o PGR deve incluir ações voltadas à prevenção e controle desses riscos. Por isso, precisa integrar o cuidado emocional ao planejamento de segurança e saúde no trabalho.

Quem é responsável por aplicar a NR-1 na empresa?

A responsabilidade é da empresa como um todo, com papel de destaque para o setor de Saúde e Segurança do Trabalho e para o RH. Gestores diretos também devem ser capacitados para identificar riscos e implementar ações preventivas. Afinal, a liderança como um todo tem seu papel em garantir que o ambiente de trabalho seja seguro e sustentável.

É obrigatório oferecer atendimento psicológico nas empresas?

A legislação não exige, por ora, que empresas ofereçam atendimento psicológico. No entanto, disponibilizar esse tipo de suporte é recomendável.

Tanto para atender às boas práticas de prevenção previstas na NR-1 quanto para reduzir os impactos de riscos psicossociais. Nesse sentido, um caminho possível é estabelecer parcerias com clínicas, psicólogos ou promover programas de assistência ao colaborador.

Conclusão

A atualização da NR-1 veio para reforçar o que muitos líderes já intuíam: cuidar da saúde mental nas organizações deixou de ser um tema periférico para se tornar um eixo central da gestão. Nesse sentido, empresas que enxergam isso com seriedade constroem ambientes saudáveis, fortalecem sua cultura organizacional e se tornam mais competitivas.

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