Ao buscar novos talentos, você já questionou se o processo de recrutamento e seleção é acessível a todas as pessoas? Caso a resposta seja não, é o momento de parar e pensar em um programa de inclusão para PCDs na sua empresa.
Afinal, segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, cerca de 7% da população brasileira tem alguma deficiência (de nascença ou adquirida), o que equivale a pouco mais de 14 milhões de pessoas.
Já o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) afirma que quase metade desse número está em idade de trabalhar. Porém, até 2025, apenas 54% das quase um milhão de vagas previstas na Lei de Cotas foram preenchidas.
Para garantir que o seu negócio esteja em conformidade com a legislação e colha os frutos da promoção da acessibilidade, continue a leitura. Neste artigo, você descobre o que é e como estruturar um programa de inclusão para PCDs.
Principais aprendizados deste artigo
- A legislação brasileira determina que empresas com mais de 100 funcionários devem adaptar suas estruturas e cumprir uma cota de recrutamento e seleção de pessoas com deficiência (PCDs).
- Um programa de inclusão não visa apenas cumprir as obrigações, mas garantir igualdade de acesso às oportunidades, o que ajuda as empresas a aumentarem seu faturamento e reduzirem seu turnover.
- A acessibilidade começa com processos flexíveis, que se adaptam às necessidades de cada pessoa, e também com uma liderança capacitada.
- Uma empresa de gestão de benefícios é parte essencial do programa de inclusão, pois permite oferecer diferenciais flexíveis sem aumentar os custos para a organização.
O que é um programa de inclusão para PCDs?
Consiste em um conjunto de políticas internas e ações que visam aumentar a diversidade e a inclusão no ambiente de trabalho, garantindo que todas as pessoas tenham igual acesso às oportunidades de emprego e crescimento profissional. Para tanto, é necessário que a empresa se adapte às necessidades individuais dos colaboradores.
Segundo o artigo n.º 93 da Lei n.º 8.213 de 1991, conhecida como lei de cotas, todas as empresas com mais de 100 empregados devem reservar entre 2% e 5% de suas vagas para pessoas com deficiência ou reabilitadas pelo INSS (pessoas que, por conta de doenças ou acidentes, precisam exercer uma nova atividade). A pena pelo descumprimento da lei é o pagamento de multas.
Porém, um programa de inclusão vai além do cumprimento da legislação, envolvendo processos de recrutamento, onboarding, desenvolvimento, plano de carreira e até benefícios corporativos adaptados às particularidades de cada funcionário em todas as instâncias, e não em ações pontuais.
A ideia é eliminar as barreiras que podem impedir que PCDs ingressem e cresçam no mercado de trabalho.
Além disso, investir de verdade na inclusão de pessoas com deficiência nas empresas pode aumentar o faturamento em quase duas vezes e reduzir o turnover em 30%, segundo dados compartilhados pelo Boston College Center.
Quais são os pilares da acessibilidade no trabalho?
Os pilares são: acesso facilitado a todos os processos corporativos (recrutamento e seleção, onboarding, desenvolvimento de carreira e benefícios), bem como à infraestrutura da empresa. Além disso, é importante ter uma liderança preparada para lidar com as necessidades da sua equipe para garantir a igualdade de tratamento.
Vale citar ainda que o programa de inclusão para PCDs não é uma ação pontual, executada quando a empresa precisa cumprir a cota de contratações. Pelo contrário, é uma estratégia que deve fazer parte da cultura organizacional e ser aplicada continuamente.
Na tabela abaixo, você confere mais detalhes sobre os principais processos corporativos e o que pode ser feito para garantir que sejam acessíveis a todos.
| Processo | Ações |
| Recrutamento e seleção | Descrições inclusivas, vagas afirmativas para PCDs, suporte com intérpretes ou fontes adaptadas durante entrevistas e testes. |
| Onboarding | Preparação do time para receber o novo colega e do espaço e do equipamento de trabalho para assegurar a acessibilidade desde o primeiro dia. |
| Infraestrutura | Banheiros, espaços de trabalho e computadores adaptados, sinalizações táteis e acessórios como fones com cancelamento de ruído. |
| Capacitação de lideranças | Treinamentos para garantir que os líderes entendam e saibam lidar com as diferenças entre os colegas para derrubar possíveis barreiras de comunicação. |
| Desenvolvimento profissional | Planos de desenvolvimento que garantam o acesso a cargos mais altos, como os de gestão, sem discriminação e plataformas de aprendizado acessíveis. |
| Benefícios corporativos | Planos de benefícios flexíveis que se adaptam às necessidades de cada colaborador, particularmente relacionados à saúde. |
Quais são os desafios na inclusão de pessoas com deficiência nas empresas?
Os principais desafios são:
- capacitismo velado: ideia preconceituosa de que PCDs são menos capazes;
- falta de preparo das lideranças em lidar com as particularidades de cada um: como uma pessoa autista necessitando de fones com cancelamento de ruído;
- infraestrutura inadequada: como falta de sistemas que leem texto em voz alta ou elevadores;
- benefícios genéricos que não atendem às necessidades da equipe: como um plano de saúde que não dá suporte a um colaborador que precisa de acompanhamento especializado.
Por falar em benefícios, a flexibilidade é a palavra-chave quando se trata de promover a acessibilidade na empresa, já que garante que cada funcionário tenha suas necessidades atendidas sem gerar custos extras.
No tópico seguinte, você confere os motivos que fazem com que a flexibilidade seja essencial quando o assunto é benefícios corporativos para pessoas com deficiência.
Por que a flexibilidade é importante nos benefícios corporativos para pessoas com deficiência?
Benefícios flexíveis ajudam a promover a atração e a retenção de talentos PCDs porque garantem que os diferenciais da empresa atendam às necessidades de cada colaborador. Ou seja, oferecer flexibilidade faz com que todos se sintam acolhidos e valorizados, aumentando o tempo de permanência na empresa.
Aliás, não há programa de inclusão sem flexibilidade, visto que é essencial para assegurar a acessibilidade. Um exemplo prático é de um colaborador cuja deficiência é uma condição crônica que faz com que ele tenha gastos acima da média com medicamentos ou tratamentos para minimizar os efeitos negativos.
Nesse caso, é necessário que o plano de saúde saia do básico e atenda a questões médicas mais complexas. Outro exemplo é de um colaborador que precisa de equipamentos específicos para os dias de home office, como uma cadeira adaptada.
Nesses cenários, a solução mais viável é contar com um parceiro que ofereça benefícios flexíveis, como a Ticket, que conta com Ticket Flex e Ticket Multibenefícios. Ambos permitem que os próprios colaboradores configurem seu cartão conforme suas necessidades, respeitando os limites impostos pela empresa.
Para garantir o uso correto desses recursos, confira um checklist simples para estruturar um programa de inclusão para PCDs do zero!
Como estruturar um programa de inclusão para PCDs na empresa?
O passo a passo inclui as seguintes tarefas:
- Entender a situação atual (a empresa cumpre a lei de cotas? Quais são as barreiras para a contratação de PCDs?);
- Estabelecer metas (por exemplo, fazer com que todos os processos seletivos sejam acessíveis);
- Definir os indicadores de inclusão (como taxa de representatividade e igualdade salarial entre os funcionários);
- Capacitar a liderança (com treinamentos constantes para garantir a participação ativa de todos);
- Criar uma política de benefícios que foque a flexibilidade.
Neste último passo, é bom contar com um parceiro com soluções flexíveis. Aqui, a Ticket chega com um cartão multibenefícios que reúne tudo o que os seus colaboradores podem usar e pode ser personalizado rapidamente.
Dessa maneira, a equipe pode escolher os benefícios que mais fazem sentido para sua realidade, como plano de saúde, vale-transporte ou vale-alimentação. Solicite uma proposta e descubra como a Ticket pode simplificar a gestão de inclusão na sua empresa.
FAQ – Perguntas frequentes sobre programa de inclusão para PCDs
Quantos PCDs uma empresa é obrigada a contratar pela lei de cotas?
Depende da quantidade de empregados, sendo de 2% das vagas para organizações com até 200 funcionários, 3% das vagas para negócios que tenham até 500 trabalhadores, 4% das oportunidades para empresas com até 1.000 colaboradores e 5% para corporações com mais 1.001 funcionários.
Quais adaptações a empresa é obrigada a fazer para os colaboradores PCDs?
A Lei n.º 13.146 determina que as empresas devem fazer todas as adaptações necessárias para que os colaboradores PCDs possam usar sua infraestrutura. Por exemplo, ter rampas, elevadores e banheiros adaptados para cadeiras de rodas, sinalizações táteis, avisos sonoros e sistemas de uso corporativo com leitor de tela.
Como os benefícios corporativos podem ser adaptados para PCDs?
Uma maneira de adaptar os benefícios é contar com um parceiro que ofereça soluções flexíveis, como a Ticket. Na prática, a empresa contrata um cartão, e os colaboradores ficam livres para escolher quais diferenciais usar (conforme o limite estabelecido), garantindo a acessibilidade ao programa de benefícios.
